Irã

A revolução dos cardos

Foi em Pasárgada, o campo persa que serviu de refúgio ao nosso poeta Manoel Bandeira, que pela primeira vez vi um cardo. A flor que talha o leite brota sem cerimônia no terreno montanhoso do Irã e em Pasárgada vai pincelando de roxo o ocre desértico da primeira capital do Império Persa.

Vejo os iranianos como os cardos. Um povo que enche de vida e de cor um país visto de fora como um terreno inóspito e adverso. Trata-se de uma gente que exala gentileza, exibe sorrisos sinceros e tem o dom do acolhimento, gestos raros num mundo tão hostil aqueles que, como eu, gostam de se aventurar pelo país alheio.

No Irã, por incrível que pareça, você pode chegar sem cerimônia. Será recebido para jantar nos lares iranianos como se fosse amigo da casa desde sempre. E sairá convencido que fez amigos de uma vida, com a certeza de que esta viagem terá volta.

Não confunda o povo iraniano com o governo do Irã. A verdade é que uma grande parcela dos iranianos sequer é mulçumano e tem orgulho da sua origem persa. A história do islã no Irã é muito recente. Para um povo que é o berço da civilização, com 7 mil anos de história, foi ontem que ocorreu a conquista árabe entre os anos de 643 a 650, que pôs fim a dinastia sassânida, a última do império Persa. Os iranianos falam farsi, não árabe, e a culinária é persa.

Os iranianos muçulmanos também fogem ao estereótipo ocidental. Não ouvi nenhuma palavra sequer de ódio, mesmo que o assunto fosse os Estados Unidos. As palavras no Irã são doces e poéticas. Usam e abusam da metáfora e a poesia está no ar.

Você é louca? Cuidado, eles estão em guerra! O que você vai fazer lá?

Sim, alguns acham que me falta um pouco do chamado juízo, mas definitivamente não é por ir ao Irã.

Não, eles não estão em guerra. A guerra com o Iraque que deixou marcas profundas no país e a dor ainda muito recente, levou muitos jovens iranianos, mas terminou há 30 anos.

Fui conhecer a história da civilização, conhecer um pouco do Oriente Médio, região onde nunca havia pisado, e investir! Sim, viajar é um investimento com alto retorno garantido.

Por isso hoje começo a publicar aqui no invest-indo meu diário de viagem com tudo o que vi e aprendi nesta minha aventura pela Pérsia.

A começar pelo mais difícil: como chegar ao Oriente Médio de classe executiva sem desembolsar um tostão?

A resposta é: invista nas milhas! E os detalhes você conhecerá na editoria Apertem os Cintos.